segunda-feira, 15 de junho de 2026

O poema "Bído (Poema para Segunda)" é uma das obras mais íntimas e afetivas de Michel F.M.. O texto é uma homenagem direta à sua avó, Segunda Bergamo, cujo apelido familiar era justamente Bído.


O poema "Bído (Poema para Segunda)" é uma das obras mais íntimas e afetivas de Michel F.M.. O texto é uma homenagem direta à sua avó, Segunda Bergamo, cujo apelido familiar era justamente Bído. [1, 2]

Enquanto "Desfoque Gaussiano" trabalha a frieza das probabilidades matemáticas e o distanciamento do tempo, "Bído" opera na chave oposta: a da proximidade afetuosa, da memória concreta e da transcendência do cotidiano. [1]


Análise do Poema
Convertemos
Os instantes banais,
Em lampejos de imortalidade. [1]

1. A Alquimia do Cotidiano
Os três primeiros versos funcionam como o manifesto poético da obra. O eu lírico fala em "converter". Há uma transformação quase mágica ou religiosa aqui: o tempo comum e corriqueiro (os instantes banais) é transformado em algo eterno (lampejos de imortalidade) por meio da convivência e do afeto. A memória afetiva é a única ferramenta humana capaz de vencer a mortalidade. [1]
Saboreei teus pratos,
Recebi tuas rezas,
Tua água benzida,
Aprendi tuas falas,
As histórias antigas. [1]

2. O Inventário dos Sentidos e da Tradição
Esta estrofe é construída a partir de ações físicas e heranças culturais transmitidas de geração em geração: [1]
  • O paladar: "Saboreei teus pratos" evoca o aconchego da comida de avó, um dos gatilhos de memória mais poderosos que existem. [1]
  • A fé e a proteção: "Recebi tuas rezas / Tua água benzida" resgata o misticismo e a religiosidade popular do interior brasileiro, onde a figura da avó frequentemente assume o papel de protetora espiritual. [1]
  • A oralidade: "Aprendi tuas falas / As histórias antigas" mostra o papel da avó como a guardiã da memória da família, a contadora de histórias que molda a identidade do neto através da palavra. [1]
Eu morei em tua casa,
Ela habitou meu coração. [1]

3. A Inversão do Espaço Físico e Emocional
O encerramento do poema traz um belíssimo jogo de reciprocidade. O eu lírico começa apontando uma realidade física e concreta ("Eu morei em tua casa") e conclui com uma transferência metafórica para o plano emocional ("Ela habitou meu coração"). O espaço físico da casa da avó se expande e se torna um sentimento permanente que o poeta carrega consigo, mostrando que o lar, no fim das contas, não é um lugar geométrico, mas sim as pessoas que amamos. [1]


Síntese do Estilo de Michel F.M. em "Bído"
Assim como em outras obras publicadas em suas coletâneas, o autor opta pelo minimalismo: frases diretas, sem excesso de adjetivos, deixando que a força das imagens cotidianas (o prato, a reza, a água, a conversa) fale por si só. O ritmo é calmo e confessional, assemelhando-se a uma oração de agradecimento ou a um sussurro de despedida. [1, 2]

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A transição entre "Poesia Pandêmica" (2022) e "Revolesia" (2023) marca o amadurecimento de Michel F.M., transformando a dor individual do isolamento em indignação coletiva.


A transição entre "Poesia Pandêmica" (2022) e "Revolesia" (2023) marca o amadurecimento de Michel F.M., transformando a dor individual do isolamento em indignação coletiva.

Aqui está como a experiência da pandemia moldou o tom político da obra posterior:

  • Da Introspecção à Ação: Se em Poesia Pandêmica o autor explorava o "florilégio" das emoções internas para sobreviver ao caos doméstico, em Revolesia ele rompe as paredes do isolamento. A consciência da fragilidade humana despertada pela crise sanitária torna-se o combustível para uma poesia que exige mudanças nas estruturas sociais.
  • A "Revolução" como Necessidade Vital: O neologismo Revolesia surge porque o autor percebe que, após o mundo parar, não se pode simplesmente "voltar ao normal". O tom político torna-se mais agressivo e direto, criticando o que ele chama de "fantástica fábrica de submissões".
  • O Coletivo sobre o Individual: Enquanto a obra de 2022 era um diário pessoal, Revolesia é dedicada ao "Poder Encorpado" da nossa condição. Ele utiliza a sensibilidade desenvolvida na clausura para dar voz às lutas externas, tratando a poesia como um instrumento de "insubordinação".

Em suma, "Poesia Pandêmica" foi o laboratório de sensibilidade onde o autor forjou a couraça emocional necessária para lançar os ataques filosóficos e políticos encontrados em "Revolesia".

A obra "Poesia Pandêmica ou O Improvável Florilégio das Aventuras Impossíveis", de Michel F.M., publicada originalmente em 2022, é um registro lírico e documental de um dos períodos mais desafiadores da história recente.



A obra "Poesia Pandêmica ou O Improvável Florilégio das Aventuras Impossíveis", de Michel F.M., publicada originalmente em 2022, é um registro lírico e documental de um dos períodos mais desafiadores da história recente.

Aqui estão os pontos centrais da análise:

1. O Poeta como Testemunha do Caos

O livro funciona como um diário emocional da clausura. Enquanto o mundo enfrentava a crise sanitária, o autor transformou a angústia do isolamento em um "florilégio" (coleção de flores/poemas). A obra explora a dualidade entre o medo da morte e a celebração da vida, utilizando a escrita como uma ferramenta de sobrevivência psicológica.

2. A "Aventura Impossível" do Cotidiano

O título sugere que, diante da imobilidade forçada pela pandemia, a única aventura possível é a introjeção. Michel F.M. descreve o cotidiano doméstico e os pensamentos invasivos como expedições épicas.

Temática: A fragilidade dos planos humanos, a saudade do outro e a redescoberta da própria casa e do silêncio.

Tom: Transita entre o melancólico e o esperançoso, focando na resiliência do espírito humano.

3. Estilo e Estética

Espontaneidade: Assim como em suas obras posteriores, como o Ensaio sobre a Distração, o autor prioriza a poesia do agora. Os versos têm um caráter de urgência, refletindo a incerteza do amanhã característica daquele período.

Hibridismo: A obra mistura reflexões filosóficas com passagens puramente líricas, marcando o início da estética que o autor consolidaria na trilogia Flores do Pântano.

4. Relevância Histórica e Literária

Em 2026, a obra é lida como um testemunho histórico. Ela oferece ao leitor uma ponte para revisitar as emoções cruas da pandemia sem o viés meramente estatístico, focando na "pulsação" de quem sentiu o tempo parar.

Resumo da Análise

"Poesia Pandêmica" é o retrato de um mundo em suspensão. Michel F.M. entrega uma obra que prova que, mesmo no terreno estéril da crise, a arte é capaz de produzir um "florilégio" de significados.

A obra está disponível para consulta em plataformas como o Clube de Autores.

sábado, 24 de janeiro de 2026

As obras de Bruno Michel Ferraz Margoni (que assina como Michel F.M.) abrangem uma vasta gama de temas que conectam literatura, filosofia, educação e saúde.


As obras de Bruno Michel Ferraz Margoni (que assina como Michel F.M.) abrangem uma vasta gama de temas que conectam literatura, filosofia, educação e saúde. 

Os principais temas e características de sua produção são:

Introspecção e Condição Humana: Seus textos poéticos e filosóficos frequentemente exploram a natureza do "ser", dilemas existenciais e a transitoriedade da vida. Exemplos incluem discussões sobre o "espírito indomável" e a vida como uma "trilha imprevista".

Insubordinação e Distração: Títulos como Sujeitos Insubordinados e Ensaio sobre a Distração sugerem um foco na resistência às normas sociais e na análise do comportamento humano contemporâneo.

Miscigenação e Identidade Cultural: O autor aborda a complexidade cultural e histórica, muitas vezes em um tom de "viagem poética" que mistura diferentes épocas e influências.

Saúde, Educação e Movimento: Com formação em Educação Física, Saúde Pública e Neuroeducação, Margoni integra esses conhecimentos em sua produção. Ele mantém o projeto Movimentalize, focado na prática pedagógica de exercícios físicos e na inclusão através do esporte (como bocha, xadrez e voleibol).

Estética e Poesia Contemporânea: Suas obras exploram a beleza sob perspectivas não convencionais, como visto em Beleza Concentrada a Níveis Inimagináveis e na série Revolesia. 

Principais Obras:

Revolesia (Volume 1)

Sujeitos Insubordinados

Ensaio sobre a Distração (Vol. 1)

Poesia Pandêmica ou O Improvável Florilégio das Aventuras Impossíveis

Beleza Concentrada a Níveis Inimagináveis

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Improvável Florilégio das Aventuras Impossíveis - Michel F.M.



Improvável

Florilégio

das Aventuras Impossíveis


Estava a pensar algo

Que não importa,

Passando a me importar

Com o que nunca pensei.

Materializando em cores vivas,

Letras palavreadas invisíveis.

Inauguro neste instante,

Iluminado e supersônico:

O Improvável Florilégio

Das Aventuras Impossíveis.


(Michel F.M.)

domingo, 12 de setembro de 2021

As Aéreas Aventuras da Mulher-Voadora - Michel F.M. ©

 


As Aéreas Aventuras da Mulher-Voadora


Se fez rotina repentina,

Repetida rotina repetida,

Repentina, todo dia.

Todo dia repetia,

Essa vida serpentina,

A rotina, repetida.

De quando em quando

Cantarolava,

soltos versos

Em plenitude.

os tempos áureos

Dos sonhos vivos,

de ser cantora

Na juventude.

Foi uma estrela

que sibilou,

Tua potência

escancarada,

Foi embrulhada

para viagem.

O teu talento

foi pra si mesma,

Tua plateia

foi teu espelho,

Os teus aplausos

estão à margem.

Incendiária, atiçadora,

de tantas brasas,

Acolhedora.

Entre estas botas

e os teus punhos,

ela foi asas,

A Voadora.


(Michel F.M.)

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Tretólogo - Michel F.M. ©

 



Tretólogo


Não deveria 

ser assim, 

mas é. 


Só existem 

duas questões 

existenciais, 


dignas 

de reflexão 

na vida, 


o amor e 

a guerra. 


Em ambas, 

só há 

duas saídas, 


ou 

você fode ou 

será fodido.


(Michel F.M.) ©

O poema "Bído (Poema para Segunda)" é uma das obras mais íntimas e afetivas de Michel F.M.. O texto é uma homenagem direta à sua avó, Segunda Bergamo, cujo apelido familiar era justamente Bído.

O poema "Bído (Poema para Segunda)" é uma das obras mais íntimas e afetivas de Michel F.M.. O texto é uma homenagem d...